Introdução
Á medida que o mundo avança rumo a um futuro de baixo carbono, a descarbonização deixou de ser apenas uma palavra da moda – é um imperativo comercial. Organizações de todos os setores e indústrias estão tomando medidas significativas para reduzir seu impacto ambiental e se posicionar para um futuro sustentável.
A cadeia de suprimentos é responsável, em média, por até 70% das emissões de gases de efeito estufa (GEE) de uma empresa. Ou seja, não adianta reduzir apenas as emissões internas se fornecedores, transportadores e parceiros continuam gerando impactos ambientais significativos. Para alcançar resultados reais, é preciso olhar para toda a cadeia, o chamado escopo 3.
As emissões de GEE (gases causadores do efeito estufa) são divididas em três tipos:
- Escopo 1: emissões geradas diretamente pelas operações
- Escopo 2: emissões indiretas provenientes da energia elétrica adquirida para uso da companhia
- Escopo 3: emissões indiretas associadas às atividades, incluindo cadeias de suprimentos, uso de produtos e descarte
Nesse cenário, a descarbonização da cadeia de suprimentos aparece como um grande desafio, mas também como uma ótima oportunidade para quem quer crescer em uma economia cada vez mais focada em baixo carbono. A partir de 2026, empresas de setores regulados deverão obrigatoriamente apresentar inventários de emissões de gases de efeito estufa (GEE), em conformidade com a LEI Nº 15.042, de 27/12/2024, que instituiu o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de GEE (SBCE). A medida cria um mercado regulado de carbono no país e estabelece limites para a emissão dos gases de efeito estufa.
A lei cria um sistema de bonificação para empresas ou estados que reduzirem a emissão de gás carbônico na atmosfera. Na prática, quem comprovadamente deixar de emitir ganhará créditos de carbono, que poderão ser comprados por empresas que emitirem acima do teto estabelecido.
Por que descarbonizar a cadeia de suprimentos?
A partir de 2026, setores regulados precisarão elaborar inventários de emissões de gases de efeito estufa, medindo, registrando e reportando esses dados de forma organizada. Isso cria a base para o mercado de carbono e aumenta a responsabilidade das empresas sobre suas emissões. Além disso, existem outros fatores importantes:
- Exigência de grandes compradores: Muitas multinacionais já exigem que seus fornecedores tenham metas claras de redução de carbono.
- Preferência dos consumidores: Cada vez mais pessoas optam por marcas que mostram compromisso com o meio ambiente.
- Acesso a crédito e investimentos: Bancos e investidores estão dando prioridade a empresas com boas práticas ESG.
Como descarbonizar na prática?
Descarbonizar a cadeia de suprimentos exige planejamento e ações bem conectadas. O primeiro passo é mapear toda a cadeia, entendendo quem são os fornecedores, como os produtos circulam e onde estão as principais fontes de emissão. Esse diagnóstico ajuda a identificar os pontos que precisam de mais atenção.
Em seguida, é fundamental elaborar o inventário de emissões, incluindo o escopo 3, que inclui as emissões indiretas. Aqui entram dados sobre transporte, uso de matérias-primas, energia comprada, viagens corporativas e até o descarte dos produtos. Com essas informações em mãos, a empresa consegue entender melhor sua pegada de carbono e definir metas mais realistas de redução.
Outro ponto-chave é o envolvimento dos fornecedores. Não adianta uma empresa fazer sua parte se os parceiros não estiverem alinhados. Por isso, vale estabelecer critérios ambientais claros, oferecer orientações e incentivar práticas mais sustentáveis ao longo de toda a cadeia. Isso fortalece as parcerias e cria um ambiente mais colaborativo.
A tecnologia também tem um papel essencial nesse processo. Logística mais eficiente, embalagens sustentáveis, uso de energia renovável e digitalização de processos são exemplos de soluções que ajudam a reduzir emissões e, ao mesmo tempo, melhorar a eficiência e até diminuir custos.
Por fim, é importante lembrar que a descarbonização não tem fim. Trata-se de um processo contínuo, que exige acompanhamento constante, revisão de metas e ajustes sempre que necessário. Monitorar indicadores garante que os avanços sejam mantidos e que a empresa esteja preparada para novas exigências do mercado e da legislação.
Por isso, contar com ferramentas de gestão e apoio técnico faz toda a diferença para que esse processo seja consistente e duradouro.
Conclusão
A descarbonização da cadeia de suprimentos não é uma moda passageira, mas uma mudança profunda e necessária. Empresas que ignoram esse movimento podem perder competitividade, enquanto aquelas que se antecipam saem na frente, fortalecem sua imagem e contribuem para um futuro mais sustentável.
Mais do que uma obrigação, descarbonizar é uma chance de inovar, melhorar processos, reduzir custos e construir relações mais fortes com clientes e parceiros. O caminho exige esforço, mas os resultados valem a pena: empresas mais preparadas, resilientes e alinhadas com os desafios do século XXI.
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